Mania de Sling by Dida

Novidades, dicas e informações interessantes sobre slings e cia.

O que você faz com sua mão???? novembro 19, 2008

Filed under: Uncategorized — Dida @ 00:00

Nossas mãos foram feitas para abençoar, produzir coisas bonitas, acariciar.. mas o cotidiano, as criações autoritárias e sem sabedoria fazem com que esqueçamos determinados valores… o excesso de agressividade de nossos antecessores causou uma situação um tanto estranha: a banalização da palmada.

Impera em nossa cultura que “um tapinha não dói” ou que “uma palmada dada na hora certa impõe limites”.. mas este é um grande equívoco. A verdade é que a palmada, ao invés de educar, deseduca. Impor limites significa designar autoridades, estabelecer relacionamentos saudáveis, criar uma comunicação funcional proporcionando um “feedback” sem ruídos.

As pessoas se confundem, e acham que educar sem palmadas é o mesmo que ser permissivo, não ter autoridade… e, muitos não atentam ao fato de que os que batem para educar agem tão impulsivamente que ao mesmo tempo que exercem autoritarismo, causam profunda humilhação e dor (física e emocional) e ainda assim continuam sendo permissivos causando mais confusão na mente as crianças.

A correção física não leva a nada. Não traz nenhum crescimento para os filhos, nenhum progresso para os pais.. e, na maioria das vezes ela causa o efeito contrário, afastando os filhos dos pais, formando uma imagem prepotente e intocável da pessoa que deveria ser a mais amorosa e paciente, a mais próxima da criança: Pai/Mãe.

A palmada ensina algumas coisas, de fato, isso ninguém pode negar. Ela ensina que o mais velho pode humilhar o mais novo, ensina que o mais forte domina sobre o mais fraco. A palnada ensina a criança a praticar covardia, pois ela percebe que quando estiver em posição de poder poderá usar sua força pra obter o resultado que quer.

Você já viu como os grandes adestradores conseguem os melhores resultados com seus animais? Conseguiu perceber que eles adestram na base do carinho, do amor, da atenção e da repetição? Por quê então educar seu filho na base da palmada se nem os bichos são educados assim?

Bater, dar uma “palmadinha” pode até não ser uma agressão que cause grandes danos físicos, mas com certeza causa imensos danos emocionais, muitas vezes irrversíveis. Não dá pra imaginar o que passa na cabeça da criança quando ela recebe uma palmada da pessoa q ela mais ama.. a pessoa que devia estar ensinando limites, carinho, amor, atenção, paciência… Não tem como esta criança crescer coerente se sua vida é baseada em ensinamentos incoerentes.. esta criança está entregue à conflitos emocionais gravíssimos, que o transformarão em adultos insensíveis, imaturos, impacientes e COVARDES.

 

Por quê é tão difícil educar sem palmadas?

Na verdade não é difícil e sim trabalhoso.. requer paciência, domínio próprio, amor, e muita, muita demonstração de carinho. Mas vale à pena, vale cada segundo investido nesta criança que se transformará num adulto sensível, coerente e muito seguro.

Eu sei que estamos no meio de uma “revolução educacional”.. saímos do modelo autoritário de ensino, onde imperavam as surras de cinto, palmatória, onde os filhos eram vistos como propriedades e os pais podiam fazer o que quisessem com eles… Estes filhos, criados nesta falsa-disciplina cresceram adultos inseguros, confusos, egoístas, mas com 2 linhas educacionais: a linha que acha que uma palmadinha pode educar, onde a palmada é banalizada… e a outra linha, que abomina os castigos físicos, mas onde impera a permissividade  e a escassez de limites.

Estar no meio destas duas vertentes é remar contra a maré, mas não podemos temer, nossas crianças precisam disso.

Precisamos acordar e entender que nossos filhos não são nossas propriedades, que somos responsáveis pelo bem-estar deles, e, isso não quer dizer fornecer comida, roupa, escola e médico, mas quer dizer cuidar da criança como um ser, como uma pessoa, respeitável, digna, que erra, acerta, sente.

Necessitamos aprender a usar nossas mão da forma correta.. usá-las incansavelmente para ensinar nossos filhos a acarinhar, a produzir, a abençoar.. Fazer de nossas mãos instrumentos que gerem um mundo melhor, mais acolhedor, mais sensível, mais amistoso e receptivo..

E você, o que você vai fazer com sua mão? Que tal usá-la para transformar o mundo??

 

Por: Andreza Espi – Dida, mãe da Pietra.

 

 

Monólogo das Mãos, recitado por Bibi Ferreira:

 

Seu filho é como você idealizou? novembro 18, 2008

Filed under: Uncategorized — Dida @ 12:18

Depois que seu filho nasceu, quando sua personalidade começou a se mostrar, você se sentiu como?

Quando Pietra nasceu, imediatamente fiquei estarrecida.. ela era linda, perfeita, MINHA FILHA. Era tudo de mais sublime que Deus poderia fazer..  Eu a olhava e pensava: Como um pedaço de mim pode ser tão perfeito?!

Mas, pouco depois, quando seu desenvolvimento permitiu uma maior interação, sua personalidade forte e marcante me pegaram desprevinidas e me vi num misto de amor e frustração do qual por mais que eu tentasse não conseguia aquietar meu coração.

Mas como assim? 

A referência q eu tinha do comportamento de uma criança era apenas a minha, eu lembrava do quanto eu, mesmo quando criança,  detestava criança chorona, mal-educada e respondona. Eu era calma, serena, obediente, quase não chorava. Já a Pietra era um mundo novo…

A cada escândalo da Pietra ao chegar uma visita eu me sentia mais frustrada.. não sabia mais o que fazer.. sabia que tinha que ser paciente, deixá-la segura.. eu coversava com ela… tentava acalmá-la, mas sempre em vão. Chegou um momento em que ela não aceitava ninguém, que ninguém a pegasse, que ninguém falasse com ela.. nem mesmo vovôs e vovós.. Neste tempo, muitas vezes me senti envergonhada, me perguntava porquê ela era assim, mas não havia resposta. Houveram dias (não foram poucos) em que eu deixei de sair com “medo” dela.. só quem passou por isso sabe exatamente do que falo, ter vergonha de exibir seu tesouro ao mundo é paradoxal.. desconexo..triste. Sim, me sentia triste, pois a cobrança pela perfeição não é fácil e vem de todos os lados.. principalmente de nós mesmas.

Foi quando percebi que algo não estava certo, mas não sabia o porquê.. foi quando entendi que o problema era EU. MINHA auto-imagem, e, principalmente a idealização errada que eu tinha de um filho. Não tem como pensar no bebê que vai nascer sem associar aos seus próprios comportamentos.. quando o bebê nasce, que descobrimos este novo ser completamente único é que nos deparamos com nós mesmos. Se o bebê tem muitas características suas, ótimo! Mas se não tiver, e for uma pessoa completamente oposta à você alguns parâmetros precisarão ser compreendidos para um desenvolvimento emocional saudável com um bom vínculo mãe/bebê.

 A parte mais importante é simples, porém difícil… é reconhecer que seu filho é seu filho e não você. Reflexo dos pais não é sinônimo de ser igual, e sim de ter os mesmos princípios. Isso nem sempre é fácil compreender.

Reconhecer a Pietra com SUAS características, entendê-la como única, como indivíduo que precisa ser respeitado foi a chave pra toda uma mudança, dela e minha.

 E o que houve então depois disso??

A partir do momento que entendi isso, tudo se tornou mais simples.. abriu-se para mim um leque de possibilidades e eu comecei a enxergar o quanto podíamos aprender uma com a outra. Suas necessidades passaram a vir em 1º lugar, e todos os comentários externos foram ignorados. Aliás, como eu quero que entendam minha filha se nem eu entendia???

Hoje, me sinto uma mãe livre, livre de paradigmas, de conceitos, de pré-conceitos. Liberdade esta que nos têm proporcionado grandes momentos… momentos intensos… só nosso.. hoje vamos juntas à todo lugar..passeamos, trabalhamos (rsrs), almoçamos juntas em restaurantes legais e só nós duas, sem medos, sem traumas, e, principalmente: sem choro. É sem o choro que tanto me aterrorizava…

Agora compreendo minha filha e me permito ter intimidade com ela.. Ela sabe que é compreendida e responde de forma melhor em seu comportamento. Ela é segura.

Minha mais recente descoberta tem sido sua extrema sensibilidade. Nunca imaginei que uma criança, um bebê de 20 meses pudesse ter tamanha sensibilidade. Está sendo um território inexplorado, mas hoje me sinto qualificada pra desbravar este território e auxiliá-la a encarar sua sensibilidade da melhor forma possível.

 

Hoje, posso dizer que minha filha é tudo que idealizei, acrescida de qualidades que nunca ousei sonhar.. Ela é tudo pra mim, e é o combústivel que me faz a cada dia querer ser uma pessoa melhor, uma mãe melhor..

Minha filha é uma Filha-mais-que-perfeita, e eu sou a Mãe-mais-que-perfeita dela.

E você, como idealizou seu filho??

por: Andreza Espi, Dida – Mãe da Pietra (1 ano e 8 meses).

 

COMO EDUCAR SEU FILHO SEM PALMADAS

Filed under: Uncategorized — Dida @ 10:36

“É importante reconhecer que é necessário se cumprir suas necessidades antes de querer educar.

Criança cansada, com sono, com fome, super-estimulada, etc.. não está em condições de aprender nada!”

COMO EDUCAR SEU FILHO SEM PALMADAS

Lei Seca Contra a Palmada!!!

Lei Seca Contra a Palmada!!!

Procure compreender a criança e saber o que esperar dela na fase de desenvolvimento em que ela se encontra Uma criança de 1 ano e meio já consegue se alimentar sozinha e este é um comportamento que deveria ser estimulado pelos pais e/ ou cuidadores. Mas eles devem ter paciência e, ao invés de se irritarem com a “lambança” que a criança irá fazer, estimulá-la a se alimentar por conta própria. Colocar um plástico ou jornais embaixo da cadeira que a criança está comendo torna mais fácil limpar o local depois da refeição. Procure prevenir o comportamento indesejado de acontecer (promovendo um ambiente mais propício para os bons comportamentos), arrumando a casa de uma determinada maneira que atenda às necessidades das crianças e às suas, ou prevenindo determinadas situações indesejáveis. Você precisa fazer compras e terá que levar com você seu filho pequeno. Sugestão = dê-lhe um brinquedo para se distrair; deixe-o ajudar nas compras; converse com ele sobre o que está comprando – peça-lhe para falar o que ele acha de um determinado produto; se for uma criança mais velha, ela pode ter maior mobilidade e ir pegar outros produtos enquanto você está em outro setor do supermercado. Mostre à criança o comportamento mais adequado dando o seu próprio exemplo Beber suco diretamente da garrafa irá ensiná-lo que esse é um comportamento adequado. Assim como falar mal das pessoas depois de encontrá-las. Seu filho aprenderá muito mais com o seu exemplo do que com o que você diz a ele sobre o que é certo ou errado. Isso vale também para os pequenos atos de higiene do cotidiano: escovar os dentes, lavar as mãos antes de comer, etc. É mais fácil para a criança criar e manter essa rotina se você também a realiza.

Use reforço positivo (um abraço, um elogio, um beijo…) Ela colocou a roupa suja no cesto de roupas? Elogie. Assim como o desenho que a criança fez, o fato dela ter conseguido colocar a calça sozinha, o fato dela contar uma história para você ou colocar algo no lugar que você pediu. Deixe as conseqüências naturais do comportamento inadequado acontecerem ou aplique conseqüências lógicas. Conseqüência natural: a criança está brincando de maneira violenta com seus brinquedos. Você a avisa que ele pode se quebrar, mas ela continua a brincar da mesma maneira até que ele finalmente se quebra. Logo em seguida ela pede para você comprar outro. Neste momento, você deve relembrá-la do aviso que lhe foi oferecido e negociar com ela esta nova compra. Conseqüência lógica: a criança não cumpre com o que foi acordado com os pais sobre xingar os irmãos. Ela, então, ficará no “cantinho do castigo” o tempo adequado para a sua idade. Importante: conseqüências são diferentes de punições. Estas últimas machucam as crianças, fisicamente e emocionalmente deixando-as com raiva, inseguras e tristes. As conseqüências ensinam. Essa estratégia, no entanto, não deve ser usada quando significar submeter a criança a situação de perigo. Ofereça às crianças opções de escolhas reais. Se sua filha não quer ir dormir, ofereça as opções de você niná-la ou o seu marido; se ela gostaria de escolher uma história para você ler ou você poderia escolher a história; Deixe que seu filho escolha as próprias roupas a partir daquelas que você julga adequadas para a ocasião. Isso não quer dizer que você irá deixá-lo sair de shorts no frio, mas ele pode optar para usar uma calça azul e não uma amarela. Quando não oferecemos opções às crianças, a probabilidade delas se rebelarem é maior!

Crie uma rotina com horários para seu filho. Isso não significa que os horários tenham que ser rígidos, mas a criança se sente mais segura quando há uma rotina para o seu dia-a-dia, como horários para as refeições. O processo de colocar a criança para dormir também fica muito mais fácil se seguir uma certa ordem, como por exemplo: brincar, jantar, tomar banho, contar história, dar boa noite para os outros membros da família e ir para a cama. Mas sempre procurando estabelecer esta rotina de maneira participativa com a criança.

DICAS DE COMO EDUCÁ-LOS

1. Se acalme. Respire fundo antes de chamar a atenção do(a) seu(ua) filho(a). Evite discutir os problemas sob o efeito da raiva, pois dizemos coisas inadequadas para a aprendizagem das crianças, que as magoam tanto quanto nos magoariam se fossem dirigidas a nós!

2. Sempre tente conversar com as crianças, mantendo abertos os canais de comunicação. Entender porque algo está acontecendo ao conversar com a criança é o primeiro passo para juntos vocês encontrarem a solução!

3. Jamais recorra aos tapas, insultos ou palavrões. Como adultos não queremos ser tratados assim quando cometemos um erro… Então não devemos agir assim com nossos filhos! Devemos tratá-los da maneira respeitosa como esperamos ser tratados por nossos colegas, amigos ou pessoas da família, quando nos equivocamos. As crianças são seres humanos como nós!

4. Não deixe que a raiva ou o stress que acumulou por outras razões se manifestem nas discussões com seus filhos. Seja justo e não espere que as crianças se responsabilizem por coisas que não lhes dizem respeito.

5. Converse sentado, somente com os envolvidos na discussão. Isso contribui para uma melhor comunicação. Mantenha um tom de voz baixo e calmo, segure as mãos enquanto conversam – o contato físico afetuoso ajuda a gerar maior confiança entre pais e filhos e acalma as crianças.

 

6. Considere sempre as opiniões e idéias dos (as) seus (as) filhos(as). Afinal muitas vezes suas explicações pelo ocorrido não são nem escutadas. Tome decisões junto com eles para resolver o problema, comprometendo-os com os resultados esperados. Se o acordo funcionar, dê parabéns. Se não funcionar, avaliem juntos o que aconteceu para melhorar da próxima vez.

7. Valorize e faça observações sobre os aspectos positivos do comportamento deles (as).Elogios sobre bom comportamento nunca são demais! Cuidado para não atacar a integridade física ou emocional da criança fazendo com que ela sinta que jamais poderá atender suas expectativas! Ao invés de dizer: “Você é um desastrado, nunca faz nada direito!”, que tal tentar: “Olha o que acaba de acontecer, como podemos evitar que aconteça de novo?”.

8. Busque expressar de forma clara quais são os comportamentos que não gosta e te aborrecem. Explique o motivo de suas decisões e ajude-os a entendê-las e cumpri-las. As regras precisam ser claras e coerentes para que as crianças possam interiorizá-las!

9. “Prevenir é melhor que remediar, sempre”. Gerar espaços de diálogo com as crianças desde pequenos colabora para que dúvidas e problemas sejam solucionados antes do conflito.

10. Se sentir que errou e se arrependeu, peça desculpas às crianças. Elas aprendem mais com os exemplos que vivenciam do que com os nossos discursos!

http://www.naobataeduque.org.br/paiseeducadores.php?paiseeducadores=3

 

 

Parto em casa: UMA ESCOLHA (Por Marília Margura) novembro 15, 2008

Filed under: Uncategorized — Dida @ 21:07

UMA ESCOLHA (Por Marília Margura)

A possibilidade de escolher o local do parto é extremamente importante. A situação de monopólio da assistência ao parto pelos hospitais e maternidades que ocorre na atualidade jamais beneficia o consumidor, muito pelo contrário. Em um contexto onde existe possibilidade de escolha, cada lugar deve oferecer condições de segurança e de auxílio semelhante ao outro. Em países como o Canadá, certas opções oferecidas em alguns hospitais maternidades apareceram para concorrer ao conforto e à liberdade proporcionadas pelo parto em casa.

O verdadeiro sentido do nascimento foi se perdendo pouco a pouco nos meandros das regras e condutas institucionais. A liberdade que a casa proporciona ao casal durante o trabalho de parto permite a ele reencontrar o verdadeiro sentido desse acontecimento e realizá-lo da forma que mais lhe convém.

Mulheres sadias decidem dar à luz em suas casas e casais ousam cuidar de seus filhinhos segundo seu instinto, afetuosamente, acompanhados de profissionais “observadores” que deixam que os pais definam suas necessidades e prioridades.

Um número reduzido de médicos assistem partos em casa mas são as parteiras em sua grande maioria que acompanham os casais nessa escolha. As mulheres que decidem dar à luz em casa são freqüentemente objeto de pressões injustas de efeitos profundamente negativos. Muitas vezes são obrigadas a esconder o fato de familiares e amigos. Sei mesmo do caso de uma parturiente que foi ameaçada pelos vizinhos que chegaram ao absurdo de chamar a polícia. O desaparecimento do parto em casa (como está acontecendo em muitas regiões brasileiras) rompe uma grande cadeia formada por mulheres que, no decorrer dos tempos, puseram seus filhos no mundo em seu próprio lar, provando com esse fato que o parto é um ato natural.

A questão: – Por que dar à luz em casa? Deveria ser precedida por uma pergunta não menos importante: – Por que dar à luz no hospital? Nenhum estudo demonstrou que dar à luz no hospital contribuiu para melhorar a condição da mulher sadia.

Existem, sim, fatos que comprovam que a saúde da mãe e da criança pode melhorar e muito com uma boa alimentação, com a qualidade do saneamento básico (esgoto, água e instalações sanitárias), com melhores condições de vida em geral, com a descoberta de métodos contraceptivos isentos de efeitos secundários e o aperfeiçoamento das leis de proteção à mulher.

A partir dos anos 50 um grande movimento de hospitalização se expandiu em todas as áreas da saúde. Como a classe médica acredita que qualquer parto oferece sempre uma margem de risco, o nascimento não teve como escapar a essa nova tendência. O controle da medicina sobre os nascimentos se apóia sobre o desejo dos pais de fazer o melhor para seus filhos e sobre a ignorância desses pais em relação ao fato em si (todo o processo da gravidez, parto e puerpério). Essa ignorância é mantida por aqueles que têm interesse em permanecer os “experts” na assistência à mulher grávida, aos quais todos devem obedecer.

Essa forma de controle que nunca aconteceu antes é possível porque tem suas raízes no medo que é tão velho como a humanidade. O medo do nascimento, semelhante ao medo eterno e universal da morte. Os argumentos contra o parto em casa são os mais variados. Um dos mais expressivos é o de que em casa a infecção por micróbios patogênicos é muito maior, quando, na realidade se sabe que um dos grandes riscos que o bebê corre nos dias de hoje é o de contrair a infecção hospitalar. As infecções por stafilococos jamais ocorreram nas casas, enquanto são muito freqüentes nos hospitais, trazendo sérias conseqüências para o bebê. Tomamos conhecimento através dos jornais de episódios recentes nos quais quase uma centena de recém-nascidos perderam a vida em virtude de epidemias nas maternidades.

Nem sempre as notícias são publicadas, e as mortes continuam a ocorrer silenciosamente e sem alardes jornalísticos.

O médico garante no hospital o parto perfeito e o bebê perfeito. “… Não se preocupe, mãe, nós nos ocuparemos de tudo”. A idéia do nascimento no hospital, em um local onde a equipe de saúde “se ocupa de tudo” pode dar a falsa impressão de que o casal não tem também uma parte de responsabilidade no ato do nascimento. Essa idéia coloca o pai e a mãe do bebê em uma atitude passiva, na qual a colaboração deles parece impossível e muitas vezes indesejável. Essa filosofia teve como resultado a multiplicação incontrolável de intervenções inúteis e o desespero de muitos casais que, lesados, procuram os responsáveis pelas imperfeições que foram obrigados a aceitar e conviver, às vezes pelo resto da vida.

É surpreendente que suspeitas sejam levantadas sobre os nascimentos que ocorrem nas casas e não se faça o mesmo sobre o que está acontecendo nos hospitais. Entretanto, riscos existem e são numerosos. O primeiro contato do bebê com o nosso mundo dentro do ambiente hospitalar se faz na maioria das vezes em meio a indiferença, tensão e nervosismo. Pessoas que não mantêm laços afetivos com a família e, portanto, estranhas, recebem o bebê, o manipulam, levam de cá para lá, como se ele fosse uma “coisa”, um objeto, não um ser profundamente sensível e sujeito às influências do meio. Seus gritos parecem dizer: “Leve-me de volta para os braços de minha mãe ou então para os braços de alguém que tenha amor por mim”.

Enquanto o bebê grita e esperneia, mede-se a sua estatura, pesa-se, tira-se as impressões plantares, aplica-se uma injeção no músculo, aspira-se as mucosidades com fortes aparelhos elétricos de sucção, tudo em nome de uma ciência, de uma tecnologia jamais reavaliada. Existe demasiada confiança na aparelhagem especializada que não é capaz de avaliar e de tomar decisões.

O primeiro aconchego do bebê com a mãe, o primeiro olhar para os pais, o tempo de espera para o primeiro contato e conhecimento mútuo não entra em cogitação. A pressa é a “senhora absoluta” da situação. É preciso mandar a mãe para a cama, limpar a sala e os instrumentos, terminar tudo rapidamente. Os efeitos perversos da tecnologia são numerosos. Uma intervenção não justificada desencadeia freqüentemente muitas outras, cada uma com seus efeitos negativos e posteriormente perigosos para a saúde da mãe e do seu bebê.

No hospital, preciosas informações são perdidas, entre as observações feitas pela enfermeira do dia, a da noite, o estudante de medicina, o residente e o médico que quase sempre chega no último momento. A fragmentação do trabalho, os inevitáveis problemas de hierarquia, as relações de trabalho entre os membros da equipe de saúde de variadas personalidades atrapalham a comunicação sempre tão necessária para que se chegue a um diagnóstico efetivo do que está ocorrendo com a parturiente. De fato o hospital é uma invenção do século XX e já não é sem tempo que se faça uma avaliação do seu desempenho individual e coletivo. Quanto mais partos eu assisto, em casa ou no hospital, mais eu me convenço que o lugar mais natural para dar à luz, quando se está sadio, é no seu próprio lar.

Marília Margura é parteira em Brasilia.

 

 

Vem, Sophia, vem brincar!! novembro 12, 2008

Filed under: Uncategorized — Dida @ 15:46
Nathalia, de pé, grita insistentemente para Sophia, sentada no chão. Ela quer que a irmãzinha levante-se e vá brincar com ela. Ela não está nem aí para o fato de a irmã ainda não conseguir andar só. “Vem, Sophia, vem brincar” (na verdade, parece mais com “bem, tiopia, bem incá”).
Não há nada pior na vida do que ser subestimado, antes mesmo que se possa mostrar o que se sabe (ou o que não se sabe). Este é ainda o maior problema das pessoas com síndrome de Down. Os estigmas físicos acabam por se tornar, muitas vezes, uma barreira para que o indivíduo por trás dos olhinhos puxados possa se mostrar. O que se deve ou se pode esperar de uma criança com síndrome de Down? Eu respondo: O mesmo que se pode esperar de qualquer pessoa, enquanto não a conheçamos de perto.
Nathalia não sabe que a irmãzinha gêmea Sophia tem síndrome de Down. Não é só porque ela tem apenas 15 meses e ainda não teve tempo de aprender sobre o assunto. É porque isso não é importante pra ela. Ela não duvida que Sophia possa levantar-se e correr, por isso todos os dias, e muitas vezes ao longo do dia, ela se lembra de chamá-la antes de sair em disparada pela casa. Um dia Sophia irá acompanhá-la e ela, dona do privilégio infantil de ter todo o tempo do mundo, também não saberá se isso aconteceu um minuto, uma semana ou um mês depois. Com certeza ela irá soltar uma gargalhada de felicidade por ter a irmãzinha correndo junto com ela, dessa vez sem a mamãe a segurando pelas mãos.
A perda do direito de ser visto como indivíduo é uma das maiores provas pelas quais alguém com deficiência passa. No caso das pessoas com síndrome de Down, uma série de estereótipos repetidos ao longo de décadas prende-os a uma imagem que já não corresponde à realidade das novas gerações. Não há cura para a síndrome de Down, que decorre de um erro genético, mas muitos dos problemas de saúde a ela associados são curáveis ou controláveis.
Além disso, uma série de recursos terapêuticos proporcionados pela intervenção precoce nas áreas de fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia transformaram-se em aliados na melhoria da qualidade de vida e deram um “UP”no prognóstico quanto ao desenvolvimento intelectual. Por outro lado, a visão geral sobre os indivíduos com síndrome de Down ainda se arrasta, boicotando muitas das suas chances. Há diferenças entre as pessoas com síndrome de Down, é verdade, e muitos chegam à idade adulta sem nunca terem conseguido falar ou se vestir sozinhos. Mas as diferenças existem entre todos nós. Fatores genéticos, sociais, culturais, econômicos, todos eles contribuem para aquilo em que nos tornamos.
Saber que minha filha tinha síndrome de Down não foi uma grande tragédia, apesar de eu não ter falado com muita gente sobre isso. O que eu mais temi, na época, foi a pena. Depois, os comentários, os olhares, o preconceito…Mas esse temor não durou muito tempo, somente até eu entender que a responsabilidade sobre a forma como a minha filha seria recebida no mundo era em grande parte minha. Entre sentar sob o conforto da sombra de uma árvore frondosa no meu quintal e ir pra rua buscar um lugar ao sol, fiquei com a segunda opção. Fundamental foi me despir da idéia de ser especial; especial, por quê? Eu sou apenas uma mãe que quer o melhor pras suas filhas, e faz o que pode pra isso. Não faço muito mais do que aquilo que está ao meu alcance. Pelo menos não deveria haver nada de especial numa mãe que quer o bem dos seus filhos.
Não me incomodam o preconceito, os comentários, os olhares. Até porque não posso reclamar, se minha filha sofre discriminação, ela é positiva! Ela realmente não deixa de ser percebida onde passa, principalmente porque está se tornando cada vez menos tímida e tem os olhinhos mais lindos e expressivos que eu conheço (eu sempre fico na dúvida entre ela e Nathalia, por isso digo que as duas têm os olhinhos mais lindos e expressivos que eu já vi). Ela é uma criança amada, respeitada e acolhida como toda criança merece ser. Quando me perguntam o que eu espero pra ela, realmente não sei. Só tenho uma certeza: gostaria que todos olhassem pra Sophia com os mesmos olhos de Nathalia. Que desejem sua companhia, que não enxerguem suas limitações, que acreditem na sua capacidade de se levantar, andar e crescer. Já vi muita gente criticando pais de crianças com síndrome de Down que não “admitem” ou não “enxergam” a deficiência dos seus filhos. Se for assim, eu devo me encaixar neste grupo… Porque eu só consigo ver o quanto a minha filha é saudável, feliz, inteligente e linda! Meus olhos estão naturalmente atentos para as suas necessidades, como estão para as necessidades de Nathalia. Mas deficiente, definitivamente, ela não é. Porque a deficiência é uma condição relativa. Eu conheço muita gente que tem a voz ótima falando, mas não pode cantar as notas agudas que eu canto. Esta pessoa será deficiente para cantar uma ária de ópera, certamente. Mas eu não posso correr como os atletas deficientes das Paraolimpíadas… Vamos acordar, gente, todos nós temos nossas deficiências… E vivemos buscando escondê-las dos outros, muitas vezes de nós mesmos… Entre carregar o fardo de um filho deficiente e investir e acreditar no potencial desconhecido e imensurável da minha pequena com síndrome de Down, eu fico com a segunda opção. Aprendo com a minha Nathalia, que com seus apenas 15 meses ensina uma lição que muita gente vai morrer sem aprender: cada um deve decidir, por si próprio, sobre aquilo de que não é capaz. Até prova em contrário, todos nós podemos tudo.
Nathalia e Sophia, obrigada por vocês terem me escolhido.
Com um beijo a todas as mamães de crianças cujos talentos precisam ser garimpados!
Escrito pela mamãe Ana Paula em 08 de outubro de 2008.
 
“Uma declaração de amor às minhas filhas.
À minha pequena com 46 cromossomos, e à com 47 cromossomos. “
Atualização em 12 de outubro de 2008:
Sophia já levanta e vai brincar!!
Está andando, segurando em todos os móveis, pelas paredes…
Há até duas semanas ela ainda tinha dificuldades pra levantar sozinha.
Difícil agora está sendo ela ficar parada…. rsrsrsrsrsrsrs
 

O Toque – Teoria da Extero-Gestação novembro 11, 2008

Filed under: Uncategorized — Dida @ 19:11
Dida e Pietra (2m)

Dida e Pietra (2m)

Se levarmos em conta a nossa origem e a importância do toque, podemos até afirmar que somos todos carentes e mal amados. Somos filhos do AMOR e nascemos para viver em comunidade. Mas, a necessidade do toque, não é só por isso.
Para entendermos melhor, vamos voltar um pouco no passado e tentar compreender porque tanto sacrifício nosso e de nossa mãe nos últimos minutos que antecederam nosso nascimento.
Nossa gestação na verdade, ao que indicam os estudos, não parece estar completada dentro do útero até os 266 dias e 12 horas, quando devemos nascer (UTEROGESTAÇÃO).

A mãe natureza se encarrega desta tarefa, devido ao tamanho do nosso cérebro que levaria o crânio a dimensões impossíveis de permitir um nascimento por parto normal no final da gestação. Este final se dá por volta dos nove meses depois do nascimento, quando se encerra o período da gestação fora do útero (EXTEROGESTAÇÃO). Devido a imaturidade, todo o sofrimento provocado pelas contrações do útero, são na verdade massagens necessárias para ativar os intestinos, vias respiratórias, circulação sangüínea e tudo mais que permite nossa sobrevivência saudável.

Observe a mamãe gata e mamãe cadela com seus filhotes. Quantas lambidas que interpretamos como sendo limpeza. Note bem os pontos mais lambidos. Abdome (intestinos), órgãos genitais (necessidades fisiológicas) e o peito (tórax, vias respiratórias). Mas, também lambe por todo o corpo ativando sensibilidades e circulação sangüínea.

Nos animais, cujo trabalho de parto é muito rápido a a contração do útero é pouca, se fazem necessárias essas massagens (lambidas) para garantir a sobrevivência do filhote. Tanto que, se separarmos um filhote de sua mamãe logo após o nascimento sem compensar essas carícias (massagens), mesmo sendo bem alimentado, fatalmente morrerá com problemas intestinais, respiratórios, dificuldades para evacuar, urinar e outras.

Nós humanos aprendemos muita coisa errada mesmo antes do desenvolvimento completo do feto, o que torna difícil de compreender certas atitudes em pessoas que aparentemente são normais, mas respondem a condicionamentos inconscientes, fazendo coisas anormais.

Devemos ter um cuidado especial com nossos bebês durante os primeiros nove meses de vida. A importância de mamar não é somente pelas substâncias apropriadas do leite materno, e sim pelo carinho e aconchego que acontece naturalmente no relacionamento dos envolvidos nesse ato.

Atenção: Os bebês nascidos de cesariana antes de ter ocorrido um trabalho de parto, deverão ser tratados de forma diferenciada, ou seja, com massagens especiais e muito carinho, sob pena de terem que enfrentar os problemas citados anteriormente, durante e depois do crescimento.

A PELE é na verdade o MAIOR ÓRGÃO do nosso corpo e atua também como um grande sensor ativando tudo e todo o organismo. Se não recebemos durante o nosso desenvolvimento, toques e carinhos de forma adequada, fatalmente teremos que enfrentar mais tarde problemas de relacionamento pessoal e até de saúde.

Uma mixagem com textos do Livro “O Toque” de Ashley Montagu da Summus Editorial.

Fonte: Motivação.org

por: Egídio Garcia Coelho


Resumindo:
Quanto mais acolhido o bebê, mais facilmente dá-se a transição, menos cólicas o bebê tenderá a sofrer e mais sinapses se formarão entre os neurônios, coisa que, ao menos em tese, otimiza as respostas cerebrais.
Uma maneira de simular o calor e o conforto proporcionados dentro da barriga é usando um sling ou um canguru.

 Agora que você conhece um pouco mais da importância do toque, do aconchego, do colinho, porquê não experimentar uma forma simples de passar mais tempo dando toda esta atenção para seu bebê??
Aproveite e vamos “slingar”!!!

 

 

Teoria da Extero-Gestação.

Filed under: Uncategorized — Dida @ 11:05

Teoria da Extero-gestação

Os bebês humanos estão entre os mais indefesos de todos os mamíferos. Por causa do maior tamanho do cérebro e do fato de que o tecido nervoso necessita de mais calorias para se manter que qualquer outro, grande parte do alimento ingerido é gasto em prover nutrição e calor para as células nervosas. Mais significante é o fato de que nossos bebês necessitam nascer mais cedo do que deveriam, com seus cérebros ainda não totalmente desenvolvidos. Se o bebê humano nascesse já com o sistema nervoso central amadurecido, sua cabeça não passaria pela pelve estreita da mãe no momento do parto. Ao contrário de outros mamíferos, como girafas e cavalos, o recém-nascido humano é incapaz de andar por um longo período após o nascimento, porque lhe falta o aparato neurológico maduro para tanto. O custo primal de ter um cérebro grande é que nossos filhotes nascem extremamente dependentes e em necessidade constante de cuidado.

O crescimento do nosso cérebro após o nascimento é mais rápido do que o de qualquer outro mamífero e segue neste ritmo por 12 meses.

A seleção natural demanda que pais humanos cuidem de seus filhos por um longo período e que os filhos dependam dos pais. Esta necessidade mútua traduz-se em um estado emocional chamado “apego”.

Em algumas culturas, como na tribo !Kung, bebês raramente choram por longos períodos e não há sequer uma palavra que signifique “cólica”. As mães carregam os bebês junto ao corpo, com um aparato semelhante a um “sling”, mesmo quando saem para a colheita. A relação mãe-bebê é considerada sacrossanta, eles permanecem juntos o tempo todo. O bebê tem livre acesso ao seio materno e vê o mundo do mesmo ponto de observação que sua mãe.

Nossa cultura ocidental não permite um estilo de vida idêntico ao de tribos primitivas, mas podemos tirar lições valiosas sobre como ajudar nossos bebês na adaptação à vida extra-uterina.

Nos primeiros 3 meses de vida, o bebê humano é tão imaturo que seria benéfico a ele voltar ao útero sempre que a vida aqui fora estivesse difícil.

É preciso compreender o que o bebê tinha à sua disposição antes do nascimento, para saber como reproduzir as condições intrauterinas. O bebê no útero fica apertadinho, na posição fetal, envolvido por uma parede uterina morninha, sendo balançado para frente e para trás a maior parte do tempo. Ele também estava ouvindo constantemente um barulho “shhhh shhhh”, mais alto que o de um aspirador de pó (o coração e os intestinos da mãe).

A reprodução das condições do ambiente uterino leva a uma resposta neurológica profunda “o reflexo calmante”. Quando aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma crise de choro.

Os 5 métodos para acalmar um bebê até 3 meses de idade são extremamente eficazes SOMENTE quando executados corretamente. Sem a técnica correta e o vigor necessário, não adiantam em nada.

1. Pacotinho ou casulo (embrulhar o bb apertadinho)

A pele é o maior órgão do corpo humano e o toque é o mais calmante dos cinco sentidos. Embrulhadinho, o bebê recebe um carinho suave. Bebês alimentados, mas nunca tocados, freqüentemente adoecem e morrem. Estar embrulhadinho não é tão bom quanto estar no colo da mãe, mas é um ótimo substituto para quando a mãe não está por perto.

Bebês podem ser embrulhados assim que nascem. Apertadinhos, de forma que não mexam os braços. Eles se sentem confortáveis, “de volta ao útero”. Bebês mais agitados precisam mais de ser embrulhados, outros são tão calmos que não precisam.

Se o bebê tem dificuldade para pegar no sono, pode ser embrulhado apertadinho, não é seguro colocar um bebê para dormir com um cueiro solto. Não permita que o cueiro encoste no rosto do bebê. Se estiver encostando, o bebê vai virar o rosto procurando o peito, ao invés de relaxar.

Todos os bebês precisam de tempo para espreguiçar, tomar banho, ganhar uma massagem. 12-20 horas por dia embrulhadinho não é muito para um bebê que passava 24 horas por dia apertadinho no útero. Depois de 1 ou 2 meses, você pode reduzir o tempo, principalmente com bebês tranqüilos e calmos.

2. Posição de Lado

Quanto mais nervoso seu bebê estiver, pior ele fica quando colocado sobre as costas. Antes de nascer, seu bebê nunca ficou deitado de costas. Ele passava a maior parte do tempo na posição fetal: cabeça para baixo, coluna encolhida, joelhos contra a barriga. Até adultos, quando em perigo, inconscientemente escolhem esta posição.

Segurar o bebê de lado ou com a barriga tocando os braços do adulto ajuda a acalmá-lo (a cabeça fica na mão do adulto, o bumbum encostado na dobra do cotovelo do adulto, com braços e pernas livres, pendurados). Carregar o bebê num sling, com a coluna curvada, encolhidinho e virado de lado, tem o mesmo efeito. Atualmente especialistas são unânimes em dizer que bebês NÃO DEVEM SER POSTOS PARA DORMIR DE BRUÇOS, pelo risco de morte súbita.

O bebê não sente falta de ficar de cabeça para baixo, como no útero, porque na verdade o útero é cheio de fluido e o bebê flutua, como se não tivesse peso algum. Do lado de fora, sem poder flutuar, virado de cabeça para baixo, a pressão do sangue na cabeça é desconfortável.

3. Shhhh Shhhh – O som favorito do bebê

O som “shhh shhh” é parte de quem somos, tanto que até adultos acham o som das ondas do mar relaxante.

Para bebês novinhos, “shhh” é o som do silêncio. Ele estava acostumado a ouvir tal som 24 horas por dia, tão alto quanto um aspirador de pó. Imagine o choque de um bebê acostumado a tal som o tempo todo chegando a um mundo onde as pessoas cochicham e caminham na ponta dos pés, tentando fazer silêncio!

Coloque sua boca 10-20 cm de distância dos ouvidos do bebê e faça “shhh”, “shhh”. Aumente o volume do “shh” até ficar tão alto quanto o choro do bebê. Pode parecer rude tentar “calar” um bebê choroso fazendo “shh”, mas para o bebê, é o som do que lhe é familiar.

Na primeira vez fazendo “shhh”, seu bebê deve calar pós uns 2 minutos. Com a prática, você será capaz de acalmar o bebê em poucos segundos. É ótimo ensinar isso aos irmãos mais velhos, que adorarão poder ajudar e acalmar o bebê.

Para substituir o “shhh”, pode-se ligar:
– secador de cabelos ou aspirador de pó
– som de ventilador ou exaustor
– som de água corrente
– um CD com som de ondas do mar
– um brinquedo que tenha sons de batimentos cardíacos
– rádio fora de estação ou babá eletrônica fora de sintonia
– secadora de roupas ligada com uma bola de tênis dentro
– máquina de lavar louças

O barulho do carro ligado também acalma a criança.

4. Balanço

Soninho gostoso no sling...

Soninho gostoso no sling...

“A vida era tão rica no útero. Rica em sons e barulhos. Mas a maior parte era movimento. Movimento contínuo. Quando a mãe senta, levanta, caminha e vira o corpo – movimento, movimento, movimento.”
(Frederick Leboyer, Loving Hands)

Quando pensamos nos 5 sentidos – visão, audição, tato, paladar e olfato – geralmente esquecemos o sexto sentido. Não é intuição, mas a sensação de movimento no espaço.

Movimento rítmico ou balanço é uma forma poderosa de acalmar bebês (e adultos). Isso porque o balanço imita o movimento que o bebê sentia no útero materno e ativa as sensações de “movimento” dentro dos ouvidos, que por sua vez ativam o reflexo de acalmar.

Como balançar ?
1. Carregando o bebê num “sling” ou canguru;
2. Dançando (movimentos de cima para baixo);
3. Colocando o bebê num balanço;
4. Dando tapinhas rítmicos no bumbum ou nas costas;
5. Colocando o bebê na rede;
6. Balançando numa cadeira de balanço;
7. Passeando de carro;
8. Colocando o bebê em cadeirinhas vibratórias (próprias para isso);
9. Sentando com o bebê numa bola inflável de ginástica e balançando de cima para baixo com ele no colo;
10. Caminhando bem rapidamente com o bebê no colo.

Quando balançar o bebê, seus movimentos devem rápidos mas curtos. A cabeça do bebê não fica sacudindo freneticamente. A cabeça move no máximo 2-5 cm de um lado para o outro. A cabeça está sempre alinhada com o corpo e não há perigo de o corpo mover-se numa direção e cabeça abruptamente ir na direção oposta.

5. Sucção

No útero, o bebê está apertadinho, com as mãos sempre próximas ao rosto, sugando os dedos com freqüência. Quando nasce, não mais consegue levar as mãos à boca. A sucção não-nutritiva é outra forma de acalmar o bebê. A amamentação em livre demanda não é recomendada somente para garantir a nutrição do bebê e a produção de leite da mãe, mas também para suprir a necessidade de sucção não-nutritiva. Alguns especialistas orientam às mães a darem chupetas para isso, mas ainda que a chupeta seja oferecida ao bebê, não deve ser introduzida nas 6 primeiras semanas de vida, quando a amamentação ainda está sendo estabelecida. Há sempre o risco de haver confusão de bicos e o bebê sugar o seio incorretamente.

É importante lembrar que o bebê nunca chora à toa. O choro nos primeiros meses de vida é a única forma de comunicar que algo está errado. Ainda que ele esteja limpo e bem alimentado, muitas vezes chora por necessidade de aconchego e calor humano. Por isso, falar que bebê novinho (recém nascido até 3 meses ou mais) faz manha (no sentido de chorar para manipular “negativamente” os pais) não tem sentido. Bebês novinhos simplesmente não tem maturidade neurológica para tanto.

Texto elaborado por Flavia Mandic

Bibliografia:

The Happiest Baby on The Block, Dr. Harvey Karp, Bantam Dell, 2002. New York.

Our Babies, Ourselves: How Biology and Culture Shape the Way We Parent, Meredith F. Small, Anchor Books, 1998. New York.

Como enrolar o bebe:

Lembrar que o sling faz praticamente todas as funções ao mesmo tempo:

Slingando em posição ótima para bebês com refluxo.

Slingando em posição ótima para bebês com refluxo.

Fonte: Grupo Virtual de Amamentação/orkut – Extero-Gestação