Mania de Sling by Dida

Novidades, dicas e informações interessantes sobre slings e cia.

Sling e Adoção dezembro 2, 2009

Filed under: Uncategorized — Dida @ 15:40

Ingrid van den Peereboom Extraído do livro “Peau à peau, technique et pratique du portage”, de Ingrid van den Peereboom, ed.: Jouvence. Tradução(espanhol) e fotos de Red Canguro.

Do Prazer e da Paz

O bebê cria um vínculo com seus pais através do tato, o primeiro sentido que chega à sua maturidade no útero de sua mãe, e também através da visão e dos demais sentidos. Observemos agora algumas situações que ilustram perfeitamente a riqueza que nos é oferecida ao carregar os bebês, além de suas vantagens práticas.

Porta-bebês e Adoção

No momento de uma adoção, ser carregado corpo-a-corpo constitui para o bebê e seus pais a ocasião de criar os vínculos fundamentais para o futuro de sua relação, de descobrir em si mesmos o instinto materno ou paterno e liberar ocitocina, a harmonia do amor. Mas no Ocidente, a relação mãe-filho não simboliza o porta-bebês. Pelo contrário, se acompanha de uma enorme quantidade de instrumentos de puericultura com, sua cabeça, o imponente, o majestoso, o maravilhoso carrinho. Seus lugar é tão importantes nas pesquisas européias que poucas pessoas podem conceber esta relação  parental sem a correspondente  panóplia, a coleção de acessórios. E no entanto, estes acessórios provocam e mantem a separação de forma assintomática. A longo prazo, é fundamental que o bebê e os pais estejam unidos com um forte vínculo. É necessário incentivar à qualquer custo esta esta relação vital. Uma das primeiras formas de consegui-lo é a proximidade pais-filhos. Vidal Starr Clay se interessou pelas relações táteis mãe-filho nos Estados Unidos: “A questão é saber se a quantidade e as formas de estimulação tátil e de contatos que as mães americanas oferecem a seus bebês e a seus filhos maiores correspondem com suas necessidades fisiológicas e emocionais”. “Devemos responder negativamente…” Clay constatou em várias ocasiões que o contato físico entre a mãe e os filhos de pouca idade (antes de adquirir a fala) revelam a miúdo a necessidade de dar cuidados e uma educação, mais que simplesmente expressar amor e afeição. As práticas impessoais de educação dos filhos que durante muito tempo estavam na moda nos Estados Unidos implicam em uma ruptura precoce dos vínculos mãe-filho e a separação da mãe e do filho por mamadeiras, roupas, mantas, carrinhos, berços e outros objetos materiais”.

Qualquer que seja o nascimento e a história de uma criança, não é suficiente manter um modo distante para que se tenham laços mais íntimos. O tipo de relação é determinante para o vínculo em formação. O contato em movimento e as numerosas sensações que lhe permitem realizar intercambios favorecem a relação, a cura, o alívio das tensóes ligadas tanto à história do bebê quanto à dos pais inférteis. Levar em um porta-bebês é uma prática que favorece os vínculos pai-filho e o apego do bebê pelas pessoas que o amam e as que ele ama, melhor  do que com objetos à sua volta.

A colaboração de uma organização belga de ajuda à adoção nos têm capacitado à avaliar de certa maneira a importância do moisés ou do carrinho para os novos pais. Depois de terem sido privados da gravidez, após o reencontro com o bebê, começam a utilizar o carrinho, símbolo da expressão da maternidade fincada no Ocidente há um século. Em vista do reencontro com seu filho adotado, os pais invertem, pois, é um incrível carrinho. Este bebê não tem o corpo de um recém-nascido, se alimenta de sólidos e brinca de forma autônoma. Aprendeu a não pedir demais o contato.

Eugénie fue portada por su madre biológica en paño africano y ahora ella disfruta llevando a ratos a su hermano Bernat

Geneviève, responsável por esta organização, e mãe adotiva, orienta aos pais a cuidar de seus filhos de um ano ou mais como se fossem recém-nascidos, a levá-los sobre a barriga favorecendo o apego. Lhes sugere permitir a eles mesmos e a seus pequenos uma “gestação reparadora” por meio de um sling resistente e envolvente: o wrap. Carregar seus filhos pode permitir-lhesconhecer verdadeiramente,  ancorar este novo amor em seus respectivos corpos (a associação pele-a-pele dá ferramentas para aprender a carregar) (1). O bebê rejeitará, talvez, em um primeiro momento a rpoteger-se de forma aconchegante no corpo do portador e conseguir isso pode levar um tempo.

Mas o reencontro é possível. Geneviève nos dá dicas sobre o papel de carregar o bebê no processo de adoção: “O essencial de carregar o bebê que devemos destacar no momento da adoção é a criação de vínculos. […] Muitos pais subestimam a primitiva ferida do filho adotado. Se existe adoção, existe abandono. Separado de sua mãe biológica, depois nas instituições onde podem encontrar a força pra sobreviver, a criança tem um grande sofrimento,  está desarmado e profundamente magoado. A mudança deve ser segura, e para isso devemos dar-lhe o suporte necessário. É essencial tempo, amor e sobre tudo, muita paciência.

Às vezes é muito difícil para os pais viver os primeiros dias, ou meses, com um filho adotado. Uma filiação por adoção não é uma filiação biológica. Os pais estão muitas vezes em condições difíceis, longe de tudo, longe deles, em um ambiente raramente bom para a acolhida de um bebê. Em três minutos, colocamos uma criança em seus braços, e a criança geralmente não está em ótimas condições de higiêne, comparadas às nossas (cheiro, piolhos, doenças de pele), às vezes estão também doentes […] Uma criança adotada tem necessidade de voltar, de retroceder para consolidar novamente seus alicerces. Tem a necessidade de reviver com seus pais adotivos as etapas perdidas. Necessita sentir novamente o calor e a intimidade para descobrir um estado de  bem-estar. Estes gestos de maternidade e paternidade são os gestos construtores que estimulam as partes mais instintivas e primitivas do cérebro. Está provado que responder à estas necessidades acalmará as feridas.  Carregar a criança permitirá à ele sentir-se confiante em uma maternidade primária e favorecerá o contato visual, o olhar é essencial na construção do binômio (mãe-filho/pai-fiho).

Às vezes é difícil para alguns pais começarem a carregar seus filhos. A adoção chega pouco depois de muitos fracassos e lutas dolorosos. “As mães não confiam em si mesmas, têm o desejo de se misturarem à “massa”, e, como todas, sonham com o carrinho que finalmente poderão utilizar.”

Geneviève me ensinou que estas crianças têm antes de tudo a necessidade de serem levados envoltos, de frente para seus pais, como recém-nascidos, ainda que tenham um ou dois anos e que possam andar por si mesmos no momento de encontro, a fim de que nasça o laço (vínculo) que dá gosto à vida destas crianças sem raízes.

O apego pode nascer no olhar que o pai coloca sobre seu filho, independente da criança. Este olhar forma parte das necessidades essenciais no desenvolver da criança: a necessidade de se olharem, através do olhar de seus pais.

Vejo aqui um vínculo com o trabalho de Édith Thoueille. Puericultora do Instituto de Puericultura de Paris, ensina à mães com deficiência visual grave a dar uma olhar sobre seus filhos. Sim, elas não podem vê-los, eles sim, têm a felicidade de ver sua mãe olhá-los. Elas aprendem a girar seu rosto, fazendo seus filhos seguir, sendo seu espelho.

(1)na Espanha, Red Canguro organiza palestras deste tipo.

Traduzido do site da Red Canguro por: Andreza Espi.


Traducido del original en inglés por Red Canguro.

Acerca de Red Canguro:
La Red Canguro, Asociación Española por el Fomento del Uso de Portabebés, es una asociación sin ánimo de lucro que se estableció en noviembre de 2008 con los fines de fomentar el uso de portabebés entre madres y padres y cualquier persona interesada, difundir información relacionada, servir de contacto y apoyo a personas que deseen iniciarse en el mundo de los portabebés, alentar el encuentro e intercambio de información y experiencias entre personas usuarias de los mismos, aumentar el nivel de conocimientos sobre el porteo de bebés en castellano y fomentar y difundir la crianza con apego. Para más información sobre estos temas, visita:
http://www.redcanguro.org


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Semana Mundial de Babywearing setembro 15, 2009

Filed under: Uncategorized — Dida @ 15:21

Convite-BWB

A BWB | Babywearing Brasil está promovendo uma Caminhada Nacional de Incentivo ao uso do Sling. A ação acontecerá no dia 26 de Setembro, durante a Semana Internacional de Babywearing. Eventos especiais estão sendo programados para algumas cidades. Se na sua cidade não há programação, faça você mesma! Reúna suas amigas, com seus slings e seus bebês, para uma gostosa caminhada num parque, bosque, shopping, etc, fotografe o encontro e envie para BWB. Todos que usam sling já sabem muito bem os benefícios que ele oferece, então, vamos lá contagiar novos adeptos!

Locais confirmados:

Belém – PA

Curitiba – PR

Florianópolis  – SC

Londrina – PR

Niterói – RJ

Recife – PE

São Paulo – SP

Sorocaba – SP

Maiores informações: www.babywearingbrasil.org

 

Alerta: Costura Fraca! agosto 26, 2009

Filed under: Uncategorized — Dida @ 10:49

Junto com um grupo de fabricantes sérios, estamos percebendo que além da questão das argolas inadequadas, existem slings mal feitos no mercado que podem causar riscos de acidentes por causa das costuras. Um exemplo muito sério disso é uma espécie de “costura única” que vem sendo empregada na confecção das peças: a costura que fixa as argolas é uma só, formando um ziguezague ou um “u”, às vezes com uma outra costura reta no meio pra dar um “reforço” (inútil, diga-se de passagem). Não precisa muita imaginação pra prever que se uma ponta dessa costura se soltar, as argolas e o bebê vão ao chão…

As costuras verdadeiramente seguras são várias. Aqui no Casulinho, a gente usa pelo menos três, às vezes aplicando mais um pedaço extra de tecido na aba de nossos slings. Geralmente as nossas costuras são bordadas, o que gasta mais linha e leva muito mais tempo pra ser feito, mas oferece maior resistência. Pra vocês terem uma ideia, quando a gente erra, prefere cortar fora/perder o pedaço, tamanha a dificuldade que é desmanchar o trechinho de costura…. Mais um detalhe: como as costuras são individuais, caso uma rompa ou se desgaste, ainda tem as outras pra segurar o peso do bebê!

O que isso tem a ver com segurança? Se estas costuras soltarem, as argolas soltam e o bebê cai. E não é pra fazer terrorismo, mas um bebê que cai assim de um slingou seja, de uma altura de pelo menos 1,50m, pode sofrer machucados sérios e até morrer, dependendo de sua idade, da forma da queda e do local onde caia. Simples, infelizmente.

Artigo de Mariana Mesquita, Slings Casulinho.

 

Mais uma vez as argolas… ATENÇÃO!! agosto 23, 2009

Filed under: Uncategorized — Dida @ 14:32

Gente.. não sei o que ocorre com as pessoas que resolvem fabricar slings.. não sei mesmo. No início, quando via slings com argolas impróprias, eu pensava ser inocência da pessoa, e falta de artigos em português sobre a segurança na confecção de um sling. Hoje, já não penso assim, pois eu e outros fabricantes temos disponibilizado muito material, textos, falando sobre a segurança, principalmente das argolas do Ring Sling.. só não acha quem não tem a mínima preocupação de procurar, sinceramente.

Todos os dias vejo pessoas usando carrregadores com argolas impróprias, desde fivelas de cinto, até argolas de bolsa, argolas de cortina etc.. Assim não dá! Ninguém pensa em um bebê? Ninguém se pergunta o que ocorre se um bebê cai de um sling por conta de argolas que quebram, que rasgam o tecido?? Se as pessoas não se preocupam, vou “mandar a real”:

Um bebê que cai assim de um sling  pode sofrer desde machucadinhos leves até a morte. M-O-R-T-E. Dependendo da idade do bebê e da forma e local em que ele caia.

Você pode pensar que estou fazendo propaganda negativa do sling, mas não, não estou. Eu como fabricante de sling tenho que ter a responsabilidade de vender um produto SEGURO. Não tenho medo de perder clientes, desde que os bebês não estejam correndo riscos.

O que motivou este post, foi mais um sling com argolas impróprias que chegou em minhas mãos. Mas este me causou revolta maior, pois foram comprados numa feira de gestantes aqui no Rio de Janeiro, para uma família onde quase todos são deficientes visuais.  Isso é inaceitável pra mim.. Fotografei pra poderem observar tamanha irresponsabilidade de quem fabrica:

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Argolas Abertas, IMPRÓPRIAS para sling.

Argolas Abertas, IMPRÓPRIAS para sling.

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Reparem na abertura destas argolas.

Além de nitidamente não suportarem o peso necessário para trazer segurança no uso, são abertas, podendo, depois de certo tempo, abrir mais e o tecido passar por elas sem que o usuário perceba.

Além disso, elas têm pontas CORTANTES, que machucam ao passar a mão.

ABSURDO!! ABSURDO!! ABSURDO!!

Mas tem mais foto, pra vocês terem uma melhor noção..

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Close das argolas.

Close das argolas.

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Bem, ao lado direito temos outro detalhe das argolas, e, percebe-se que não existe nem uma tentativa de solda para fechar a abertura. Isso me lembra de outro alerta: NÃO PODE ARGOLAS SOLDADA, ou com outro tipo de emenda! Mesmo que sejam soldas fortes e bem feitas!!! Já tivemos casos (eu conheço 2 casos pessoalmente e outros eu já ouvi relatos) de argolas “seguras” com emendas fortes em que a emenda causou um desgaste no tecido interno formando um buraco, que, se não tivesse sido visto à tempo poderia causar ACIDENTE SÉRIO!

Então, fiquem atentos: não pode argolas abertas, soldadas, ou emendadas. Mas tem mais detalhes que me chamaram atenção, vejam mais adiante.

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Detalhe da costura única.

Detalhe da costura única.

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Fugindo um pouquinho de falar diretamente das argolas, preciso atentar à um detalhe que comecei a ver com frequência: Costura única.

Reparem que a costura que fixa as argolas, é única, reta, direta formando um “U”, com uma outra costura reta no meio pra dar um “reforço”. O que posso dizer é que esta costura não serve de NADA! Não precisa nem ser expert em costura pra perceber que se uma ponta desta costura se solta (o q é comum em qualquer costura), TODO O RESTO se soltará.. e a costura de “reforço” de certo não aguentará o peso de um bebê.

Acreditem, já vi uma costura reta ÚNICA formando um “Z” para fixar as argolas.

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Detalhe da costura, Mania de Sling by Dida.

Detalhe da costura, Mania de Sling by Dida.

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Agora, preciso explicar como devem ser feitas as costuras SEGURAS, que, não precisam necessariamente iguais às minhas.

É imprescindível que sejam pelo menos TRÊS costuras (a foto ao lado possui 4 costuras). Estas costuras NÃO PRECISAM ser bordadas como as minhas, embora um costura bordada ofereça maior resitência, as retas podem ser tão seguras quanto as bordadas, desde que sejam reforçadas em cada extremidade. Vejam, é importante que sejam costura individuais, assim, caso uma se rompa ou desgaste, tem outras 2 ou 3 para reforçar.

O que isso tem a ver com argolas? Se estas costuras soltarem, as argolas soltam e o bebê cai. Simples, infelizmente.

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Agora vou terminar com um resuminho dos detalhes que podem e que não podem, ok?!

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NÃO PODE:

– Argolas, abertas, com emendas, com soldas (mesmo soldas bem acabadas), ocas, de metal banhado, de madeira, de plástico, de PVC, etc..

– Costura única, reta e direta para fixar as argolas.

PODE:

– Argolas de alumínio (próprias), de nylon injetado, de inox… Todas SEM emendas.

– Costuras individuais, bordadas ou retas, tendo pelo menos 3 costuras reforçadas nas bordas.

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Espero que tantos avisos comecem a surtir efeito e os fabricantes comecem a zelar pela segurança de nossos bebês..

 

TOCAR: O SIGNIFICADO DA PELE HUMANA agosto 8, 2009

Filed under: Uncategorized — Dida @ 14:03

Tocar não é coisa só de pele

A pele é o maior órgão do corpo humano e não tem simples envoltório inerte. Tem várias funções orgânicas, assim conhecidas:

1- Como protetora dos tecidos internos contra lesões mecânicas, irradiações e invasão de substancias e microorganismos.
2- Como órgão do tato
3- Como regulador térmico
4- Como regulador metabólico pelo acumulo de gordura e de água e do sal pela transpiração
5- Como produtora de fator anti-raquitismo (vitamina D)
Apesar de todas essas funções na homeostasia, só nas últimas décadas é que se passou a considerar sua importância. Como órgão sensorial é mais importante dos cinco sentidos, uma vez que é capaz de suprir a visão e a audição, como no caso clássico de Hellen Keller. A sensação de dor é outro aspecto do seu papel protetor. É por meio dela que o cérebro recebe informação para manter o tônus sensitivo e motor. A projeção da área táctil e motora da pele na área cortical do cérebro torna a parte constituinte do sistema nervoso central.

As observações de Hammett sobre como o ato de lamber a cria pela mãe proporciona adequada estimulação cutânea ao animal, determinando se ele vai ou não sobreviver: os que não são lambidos morrem de doenças urinarias ou gastrointestinais. Mccance e Otley observaram insuficiência renal fatal em gatos não lambidos pela mãe confirmando a importância da estimulação cutânea na hora do parto e nos primeiros meses de vida.
O sistema imunológico do RN é muito mais competentes nos RN que foram cuidados e e manipulados. Os pesquisadores relatam maior imunidade, menor ganho de peso, mais atividade, menos medo e maior resistência ao estresse.
Blawelt e Siddel observaram que ovelhas e cabras, retiradas da mãe e deixadas com ela poucas horas, não resistem. A estimulação da pele promove a secreção de prolactina, responsável pelo sentimento de confiança e bem-estar do bebê (brooding). Qual o equivalente humano desse “lamber a cria”?
Começa no trabalho de parto, em que as contrações produzem o mesmo efeito de estimular o feto. Continua na primeira mamada de colostro e segue-se no handling, (cuidado) e no holding (segurar) das mamadas sucessivas, pelo componente de ternura materna. As contrações uterinas estimulam o sistema nervoso do feto, imprimindo na pele uma memória. Quando a pele não recebe esse “abraço” das contrações, o sistema nervoso autônomo não é estimulado adequadamente, dando lugar a uma falha de ativação do sistema nervoso sobre os diversos órgãos. O RN humano é totalmente imaturo em seu sistema enzimático e imunológico, requerendo uma gestação “externa” – a exterogestaçao – que leva, em media, outros nove meses – ou seja, até a criança começar a engatinhar.

Mary Shirley, da Harvard Child Study Center in Boston, publicou um estudo sobre prematuros mostrando que eles têm menor acuidade sensorial, menor controle da fala e da coordenação postural e motora. Prematuros nascidos por cesárea sofrem mais intercorrências respiratórias, como a “membrana hialina”, cuja incidência em bebes de cesárea é dez vezes maior que em RN, o que é atribuível à falta da estimulação cutânea das contrações uterinas. As diferenças bioquímicas mais notáveis nos prematuros são: acidose e menores índices de albumina, cálcio, magnésio e glicemia e aumento do potássio sérico. Quando ocorre o trabalho de parto antes da cesárea, não existem diferenças acentuadas.
Quanto à performance geral do bebê prematuro cesareado, na ausência de trabalho de parto, ele apresenta mais problemas quanto à alimentação, maior suscetibilidade a infecções e distúrbios respiratórios, gastrintestinais e do sistema geniturinário. O pesquisador William J. Piper encontrou as seguintes e notáveis características em crianças cesareadas, acompanhadas até aos oito anos de idade: maior incidência de medo à escola, transtornos da personalidade, hiperatividade e distúrbios emocionais. Os benefícios do contato mãe-bebê são recíprocos, a ponto de produzir as contrações no útero pela simples presença do bebê ao lado da mãe.
O ambiente aquático uterino é comparável a um estado de plenitude ou de beatitude absoluta, que é rompido pelo processo do nascimento. A intempestiva saída de tal ambiente produz uma pressão do ar sobre os pulmões e conseqüente rearranjo da posição cardíaca e do diafragma. É nesse momento crucial de adaptação a outro ambiente que as duas vidas simbióticas – da mamãe e do bebê – não podem ser separadas abruptamente. O bebê precisa da mãe nesse momento, tanto quanto ela precisa de seu bebê – e esse vínculo é retomado com a primeira mamada.

O ser humano é a única espécie que rejeita sua condição mamífera, com apoio dos circunstantes, familiares ou profissionais da saúde. A mãe e o bebê necessitam nesse momento do reforço de sua presença mútua, do calor recíproco, da estimulação da pele e da sucção do seio. Os efeitos naturais que a primeira mamada proporcionam:
1- A musculatura uterina contrai os vasos uterinos.
2- O útero começa a reduzir de tamanho.
3- A placenta se destaca e é expulsa mais facilmente.
4- Os benefícios para o organismo do bebê acontecem em cascata, sobre o sistema nervoso, imunológico, enzimático e emocional. Não que o RN não possa sobreviver sem a amamentação, mas esta lhe proporciona um desenvolvimento mais sadio e mais harmônico.

A díade mãe-bebê é destinada ao contato máximo pele-a-pele em ambiente facilitador provido pelo hormônio “ocitocina” – o hormônio da lactação. Filhotes de primatas que são carregados pela mãe e amamentados em livre demanda raramente vomitam ou regurgitam. O significado disso, para os pesquisadores é que o bebê não foi feito para o berço, mas para o seio e os braços maternos. “O seio é o educador da humanidade” – William Painter.

“ Fui uma criança tocado por minha mãe
Um homem em contato com seu seio
Um deus ao calor de sua respiração “
(Rossetti – The House of Life)

Margaret Ribble, autora de “The Rights of Infants”, observou como a “respiração leve e inadequada do RN é estimulada vigorosamente pela sucção e pelo contato com a mãe. As crianças que usam mamadeiras deglutem mais ar ou/e regurgitam mais. O tônus gastrintestinal dos primeiros meses depende do estímulo reflexo do toque materno, que tem uma influência biológica definitiva na regulação da respiração e das funções nutritivas do bebê”.
Para Freud, o contato dos lábios do bebê com o seio é a pedra fundamental da sexualidade. Os sons e barulhinhos que a mãe emite ao bebê durante a amamentação, bem como a manipulação, são identificados prazerosamente pelo bebê. Para Ortega y Gasset, “o toque e o contato determinam nossa percepção e estruturação do mundo”. Segundo o Oxford Dictionary, “o toque é o mais amplo dos sentidos, difuso em toda a pele, mais localizado principalmente nos lábios e pontas dos dedos”. A criança acarinhada e confortada pelos braços da mãe apresentam mais interesse e dormem melhor. O contato íntimo e o balanço da estimulação táctil.

Foi Holt (em 1916) com seu “CATECISMO PARA USO DAS MÃES” quem lançou a idéia de que embalar a criança era um “vício”, um hábito que deveria ser quebrado por ser “prejudicial”. Durante cerca de 50 anos, as mães e pediatras “modernos” deram fim ao berço de balanço e se abstiveram de pegar a criança mesmo se esgoelando de chorar, ou de beija-la e acaricia-la. Estabeleceram-se normas rígidas sobre horários, treinamento de toalete e “preparar a criança para viver em sociedade e se tornarem ‘independentes’”.
Se a criança chorasse à noite ou com fome, deveria esperar para não ficar “manhosa” – e as mães, mesmo com o coração apertado resistiam bravamente a seus “impulsos animais”. E não ousavam enfrentar a palavra autorizada dos pediatras, pois eles “sabem o que fazer”. Esse período é considerado a Idade Média da criação infantil, com mães “modernas” recusando-se ao “sentimentalismo” e entregando a criança ao berço, com medo da opinião de parentes, pediatras e amigos.

A tecnologização da obstetrícia, a separação do bebê logo após o parto, as longas esperas pelas mamadas, o incentivo ao uso da mamadeira e da chupeta em lugar do seio, são as evidencias melancólicas que até hoje ameaçam a criança. Até que Peiper chamou a atenção para o embalo nos braços maternos, “o melhor sedativo”. É preciso embalar bebê sadio no berço e nos braços da mãe ou do carrinho – “quando estiver a ponto de dormir – logo ele se acalma e não precisa ficar chorando” _ “uma criança embalada SABE que não está sozinha” (Peiper, A. Cerebral Function in Infancy and Childhood: NY, 1963).

O bebê devidamente embalado e aconchegado recebe estímulo positivo para seu funcionamento celular e visceral, principalmente cerebral, respiratório e gastrointestinal. O embalo faz com que os líquidos e gases do instestino se movimentem ajustando a digestão, absorção e eliminação. Em 1934, Zahovisky declarou que “bebês acalentados após as mamadas têm menos cólica, menos espasmos intestinais e se tornam mais felizes que os bebês confinados ao berço…” Um dia, diz ele, “acredito que não haverá dúvida quanto a embalar a criança e cantar para ela adormecer”.

Embalar tem efeitos positivos sobre a temperatura do bebê e relaxa o sistema nervoso e melhora o tonus intestinal. Produz uma estimulação suave de todas as áreas da pele, com os conseqüentes benefícios fisiológicos para o bebê. Esses efeitos influenciarão o futuro bem-estar, a sensação de plenitude existencial, a alegria, o senso de ritmo e o interesse em viver, ao contrário das crianças abandonadas a si mesmas, privadas de si mesmas e que só acham consolo no auto-embalo (como os autistas).

A percepção espaço-temporal da pele é mais rápida que a do olho e mais simples. Por que se canta no chuveiro? O estímulo da pele pela água induz mudanças respiratórias que remetam em música. A privação das necessidades tácteis leva ao choro, logo acalmado pelos braços e carinhos materno. O que é um ser humano sadio? Aquele que é apto para amar, trabalhar, brincar e pensar criticamente – é um ser humano sensível, aquele que foi “tocado”.

Quem não foi tocado adequadamente tem mais desorientação espacial, mais síndrome de pânico, mais angústia. Um meio de retomar o contato é buscar mãos amorosas que lhe devolvam as carícias maternas ou seus substitutos, seja nos cabeleireiros, nos consultórios médicos ou massagistas, uma vez que a cultura cerceia e bloqueia as oportunidades de toque, como faz desde que a criança é impedida de receber embalo e cuidados maternos.

Resumo do livro de Ashley Montagu: “Touching – The human Significance of Skin” – TOCAR: existe ed.b

Fonte: Pediatria Radical

 

Carregando um bebê com necessidades especiais no sling julho 31, 2009

Por: Sally Gillespie 2006

Como mãe de um menino com um sério atraso de desenvolvimento, não posso imaginar minha vida sem o slingar (o termo “slingar” é utilizado neste artigo para distinguir entre levar o bebê em um wrap sling e levá-lo nos braços).

Quando nosso segundo filho chegou aos 10Kg, tivemos que começar a usar o carrinho quando íamos às compras. Pesava demais para usar as conchas (bebê-conforto) que se acoplam ao carrinho,mas nãopodia se sentar para usar os assentos tradicionais. Um bebê-conforto, o carro, dois meninos pequenos e as compras de um mês num mercado lotado, me fizeram pensar que tinha que haver uma meneira melhor.

Durante minha busca de alternativas, descobri o mundo dos slings (porta-bebês). Para nossa próxima ida à quitanda pude levar meu filho nas costas e deixei o carrinho em casa.

Um lugar feliz

Cerca de um mês após começar a slingar , estivemos em um curso de cinco dias, no qual haviam 13 eventos diferentes. Isso é MUITO para aguentar um menino de 19 meses! Cuando precisava dormir, podia colocá-lo no sling e assim ele descansava, física e emocionalmente, ao mesmo tempo.

Ajuda no desenvolvimento

Parte da terapia física de nosso filho era (e é) fazê-lo adquirir boa postura ao sentar. A força da parte superior de seu corpo melhorou significativamente, eestou segura de que foi, em parte, slingando.

Além disso, é muito mais fácil interagir falando, quando o carrego comigo. Nossa filha maior queria conversar constantemente. No entanto, com nosso segundo filho, notava que eu tinha que fazer um esforço para falar-lhe diretamente enquanto stava ocupada fazendo outras tarefas.

A vida segue

Envolver-lhe dia-a-dia nos afazeres domésticos ficou tambémmuito mais fácil. Carregá-lo requeria as duas mãos, e eu tinha que fazer várias viagens ou deixá-lo sozinho enquanto eu fazia outras coisas. Com meu menino nas costas eu podia, por exemplo, estender a roupa e dar atenção à mais velha, sem deixar o mais novo.

Irmãos

Apoiar as emoções das crianças é, obviamente, importante em todas as famílias, ainda mais quando se tem um irmão com necessidades especiais. Realmente, nos momentos em que o mundo deminha primogênita se desmorona, eu deixo tudo e atendo somente à ela. Quando isso não é possível,  ela gosta de subir em minhas costas, o q permite terminar muitas coisas enquanto ela se sconde das procupações mundanas e se refugia junto à sua mamãe.

Agora que Adonijah está maior, carrego no sling as crianças mais que nunca. Nosso recém-nascido pode ver o mundo de minhas costas, e depois cair em um  prazeiroso sono escutando as batidas de meu coração, e ainda posso atender aos outros dois. Posso sentar-me à mesa, enquanto a maior toma o café da manhã, e meu colo fica livre para dar de comer ao segundo. Posso trabalhar com meu filho de necessidades especiais sem a necessidade de escolher entre ele e o bebê. Com um no sling e outro nos braços, sou capaz de fazer coisas simples, como acompanhar as visitas até seu carro.

Aprimorando a arte

Aos poucos, temos que aprimorar alguns “nós” para atender nossas ncessidades particulares. Quando começamos com a mochila cruzada*, tinha que colocar a cruz superior de forma que sustentasse a cabeça de meu filho. Quando estava aprendendo  o canguru atrás*, tinha que envolver-lhe para conseguir. Nunca obtive muito êxito com os “nós” dianteiros, mas tenho que levar em consideração que começei à slingá-lo com 18 meses. Com esta idade, necessitava de duas mãospara sustentá-lo na frente e outras duas para manipular o wrap! Se houvesse necessidade de fazer nós dianteiros, teria perseverado e os dominado (depois de fazer 2 anos, tive que passar poruma pequena cirurgia, por isso pratiquei mais os nós dianteiros, me preparando para o que estava por vir. Continuaram não sendo meus favoritos, mas consegui melhorá-los para quando necessitasse).

Muitos dos Slings “padrão” (wrap) são muito curtos, agora que tenho um filho (grande) de dois anos e meio. Entendo que são projetados para levar crianças grandes com os braços de fora, o que não é uma opção para nós.

Leva bastante tempo para colocar meu filho numa postura confortável, e isso me preocupou durante um tempo; eventualmente me dei conta de que também levava mais tempo para passá-lo da cadeira de rodas para o carro e fazer a maioria das tarefas cotidianas. Então, fui capaz de ver a situação tal qual ela era.

Existem tantas variáveis que não posso dar um conselho específico neste artigo. Por exemplo, com pouco tônus muscular precisamos de porta-bebês que sustentem perfeitamente a cabeça; crianças pequenas com Síndrome de Down não querem ter suas pernas presas; uma crinaça com paralisia ou rigidez terá outras necessidades. Eu os animo a buscar ajuda nos fóruns de Babywearing, a perguntar e pedir conselhos para sua situação específica.

Acredito que qualquer tipo de necessidade especial vai fazer de slingar um desafio, mas o resultado definitivamente vale a pena!

* Posições de uso do Wrap Sling.

Traduzido do site da Red Canguro por: Andreza Espi.


Artigo original publicado em www.thebabywearer.com

Publicado con la autorización expresa de TBW

Traducido del original en inglés por Red Canguro.

Acerca de Red Canguro:
La Red Canguro, Asociación Española por el Fomento del Uso de Portabebés, es una asociación sin ánimo de lucro que se estableció en noviembre de 2008 con los fines de fomentar el uso de portabebés entre madres y padres y cualquier persona interesada, difundir información relacionada, servir de contacto y apoyo a personas que deseen iniciarse en el mundo de los portabebés, alentar el encuentro e intercambio de información y experiencias entre personas usuarias de los mismos, aumentar el nivel de conocimientos sobre el porteo de bebés en castellano y fomentar y difundir la crianza con apego. Para más información sobre estos temas, visita:
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Caminhada pela Reabertura da Casa de Parto de Realengo! junho 18, 2009

Filed under: Uncategorized — Dida @ 13:17

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Reaberta a Casa de Parto David Capistrano Filho, em Realengo!!